domingo, 13 de junho de 2010
Minha dificuldade de aceitar o tempo e sua morte está ficando cada vez maior. Não importa quantos relógios quebro, quantos poemas escrevo, quantas pessoas amo, quantas lágrimas derramo, quantas alegrias sinto.


O tempo é única coisa democrática na vida.
Minha paixão pelas coisas terrenas,
Meu amor pelas coisas eternas,
Meu ardor pelos jovens,
Minha compreensão pelas mulheres,
Minha dor pelos mortos,
Minha loucura pelos poetas.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Me falta algo.
Não sei o que é,
Nem porque me falta.

Sei que é algo
que nunca tive.
E vive em seu mistério
de ser
desconhecido.

Não reside na alegria,
nem aparece na saudade.
Não se sente na pele das mulheres,
nem nos sorrisos dos jovens.

Deve ser que nem exista
isso que me falta.

- Um pobre procurando
o que não há,
e esquecendo o
que já se foi -

influência pessoniana

E hoje em dia
sou o que sou:

Os amigos guardados no bolso,
a família gravada em foto na parede,
os sonhos esquecidos no tempo.

Hoje em dia
sou o que o fui:

os amores despedacados no vento.
os dias passaram e passando.

Hoje em dia
sou o que serei:

uma vida rabiscada no papel.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Os meus poemas me vêm o tempo todo, sem intervalos. Como uma cachoeira caudalosa, esparramando letras e palavras por todos os cantos.


Todas as pessoas são poetas - entenda aqui por pessoas, meu caro leitor, aquelas que vivem, não vegetam - Sim, todas são poetas. Existe todavia uma diferenca entre as tais pessoas, algumas conseguem (não sei como) construir algo, uma represa em suas quedas d´agua. E no vale úmido que fica à beira desta, constroem sem muitas palavras melancólicas e versos apaixonantes uma bela vida.

Outras, como eu e tantos perdidos no mundo, não tem sequer um tijolo ou massa de cimento pra represar aquilo que vêm constantemente. E o tempo que têm passam a escrever tudo, a copiar a mente, a tentar descriptografar os mistérios da alma, a tentar, em vão, transformar o vermelho do coracão em algum poema útil.

E existem as poucas e mais corajosas mentes, que tem a audácia, capacidade e virtude de ao pé da cachoeira construirem não represas, mas sim um moinho, grande e magnífico. Cujo se movimenta com as letras e palavras que caem a todo tempo e criam as mais belas coisas existentes.

Àquela que mais amo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Aquela que mais quero bem,
vive e dorme bem,
sonha os sonhos que esqueci,
acende as luzes que estou sempre a apagar,
tira as pedras que eu coloco no caminho,
enche os rios que eu tratei de secar.

Aquela que mais amo,
é viva e cheia de alegria
e ama a lua e da presentes
e sorri de besteiras.

Quem me dera ter a audácia de roubar
um pouco daqueles que admiro e por em mim.
Para que quando partissem,
em mim ficasse um pouco do que não sou.
Amor.
Escreverei as mais belas rimas de amor,
Mostrarei um mundo de flores,
Farei os sonetos perfeitos,
Contarei os mais belos contos,
Direi sobre as mais nobres vidas,
Detalharei as noites mais ardentes.

E com isso farei o melhor
dos meus poemas.
Então, irei a alguma praia,
lá irei recitá-lo.
Como quem grita que ama!

Jogando ao vento o poema,
para voar como um pássaro livre e sem rumo.

E quem sabe um dia qualquer, de uma manhã fresca,
ele virá e comerá nas fruteiras do quintal.
 

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