Papelaria

domingo, 5 de julho de 2009


Esta é a primeira vez que isto faço. Sentar a frente do computador, abrir folha, escrever, sem nada apagar. O que na cabeça vier é colocado. Nada de palavrinhas bonitinhas, estéticas, pensamentos anteriores, razões exteriores pelo que é escrito, paixões não correspondidas ou cartas de adeus. Apenas letras, cruas, mal feitas. Me faz ser necessário escrever, mal sei por qual razão tenho isso. Creio que deve-se ao fato de falar pouco, ficar calado, observar sempre, refletir ao fim e tentar compreender ações vistas.


Mas chega! Nada de tanto pensar! Nada de tanto compreender! Quero mistérios, ações irracionais, jogadas não pensadas, pessoas que cometam erros!- como Fernando ajuda nessas horas- Preciso, antes de mais nada, me mudar. Criar uma nova pessoa, metamorfosear. Porque a vida, meu amigo, é rápida. Nunca espera, piscoupassoupassoudenovo. E agora que na cabeça nada mais me veio, e parado estou, esperando vir o que quiser vir. Entendo por quais motivos me veio a cabeça o propósito inicial do texto. A vida simplesmente é: uma folha, um lápis e nenhuma borracha. Não existe relógio mágico, nem andarilho do tempo. Não existe tempo perdido, porque o que se perde, se recupera. O tempo não.

jl

terça-feira, 9 de junho de 2009
Amamos porque incompletos somos.
Como se Deus, de Eva tivesse
tirado a maçã pecaminosa.
Aquela que mataria nossa sede
e nosso desejo de ser e ter um ao outro.


Amamos porque de carne somos feitos.
Como se o vinho banhasse nossos
corações, e partir desse tinto
veias e artérias se pintassem de vermelho amor


Amamos porque sem amor
a vida é vaga, sem sentido:
um hiato de alegria, um barco sem rumo e sem cais.


Sorrimos pelo amor que aporta.
Choramos pelo amor que náufraga.
Vivemos, porque o amor é um mar de águas
inquietas e imprevisíveis.
Onde em portos de terras não firmes,
aventureiros corações almejam ser felizes.
o poema não é só feito de rimas e versos.
tem que nele haver a verdade do poeta,
os sentimentos de um amador:
a angústia, a dor, a paixão, o sofrimento, a ingenuidade de uma criança.
alegria... nunca pode faltar


aquele poema que preza apenas pela boniteza
de suas letras, de suas palavras, de suas estrofes,
não é um poema, é um passatempo.
daqueles que passam bem rápidos e não marcam nem o dedo da alma.
é necessário que algo seja dito,
que pessoas sejam mostradas,
que mortes sejam publicadas,
que doentes sejam curados.


é indispensável que haja um amor:
entre a caneta e o papel,
entre a mente e a alma.


é necessário que haja o amor
entre o poeta e a ...
Hoje, de perto, vi o amor:
ele dói, corta, corrói.


Ei, amor, porque comigo não fala?
Esqueceu que nossas vidas foram conjugadas?


E que longe de você tudo complica,
calma, minha alma explica:

Eu te amo.
Parto

me beije, sugue todo o meu doce amargo
me lamba, carregue embora o meu sabor de saudade
me morda, deixe em mim sua forte marca
me sorria, roube de mim essa imensa alegria
me sangre, descarregue em mim seu veneno bondoso
me embriague, para que tudo fique mais fácil
me ame, porque já vou, e vou me matando pra em você nascer.


Uma lágrima cai
Um corpo, puro, de cal se desfaz


O peito se abre,
O sol se expande,
A alma se chora...


Assim segue o homem
Cujo o sangue corroí com rapidez
Aquilo que já amou mais de uma vez

terça-feira, 21 de abril de 2009
Existe nos amantes,
um soluço que engasga o coração,
uma fraqueza que moe as pernas,
uma tremidão que range os ossos,
um arranhar que rasga as costelas,
um remexer que rompe as vísceras.
um calor e frio.
uma dor a fechar os olhos.
um parar que para o coração,
quando o amado, de repente, toma de prumo veias alheias
 

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