quarta-feira, 10 de março de 2010
Os meus poemas me vêm o tempo todo, sem intervalos. Como uma cachoeira caudalosa, esparramando letras e palavras por todos os cantos.


Todas as pessoas são poetas - entenda aqui por pessoas, meu caro leitor, aquelas que vivem, não vegetam - Sim, todas são poetas. Existe todavia uma diferenca entre as tais pessoas, algumas conseguem (não sei como) construir algo, uma represa em suas quedas d´agua. E no vale úmido que fica à beira desta, constroem sem muitas palavras melancólicas e versos apaixonantes uma bela vida.

Outras, como eu e tantos perdidos no mundo, não tem sequer um tijolo ou massa de cimento pra represar aquilo que vêm constantemente. E o tempo que têm passam a escrever tudo, a copiar a mente, a tentar descriptografar os mistérios da alma, a tentar, em vão, transformar o vermelho do coracão em algum poema útil.

E existem as poucas e mais corajosas mentes, que tem a audácia, capacidade e virtude de ao pé da cachoeira construirem não represas, mas sim um moinho, grande e magnífico. Cujo se movimenta com as letras e palavras que caem a todo tempo e criam as mais belas coisas existentes.

Àquela que mais amo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Aquela que mais quero bem,
vive e dorme bem,
sonha os sonhos que esqueci,
acende as luzes que estou sempre a apagar,
tira as pedras que eu coloco no caminho,
enche os rios que eu tratei de secar.

Aquela que mais amo,
é viva e cheia de alegria
e ama a lua e da presentes
e sorri de besteiras.

Quem me dera ter a audácia de roubar
um pouco daqueles que admiro e por em mim.
Para que quando partissem,
em mim ficasse um pouco do que não sou.
Amor.
Escreverei as mais belas rimas de amor,
Mostrarei um mundo de flores,
Farei os sonetos perfeitos,
Contarei os mais belos contos,
Direi sobre as mais nobres vidas,
Detalharei as noites mais ardentes.

E com isso farei o melhor
dos meus poemas.
Então, irei a alguma praia,
lá irei recitá-lo.
Como quem grita que ama!

Jogando ao vento o poema,
para voar como um pássaro livre e sem rumo.

E quem sabe um dia qualquer, de uma manhã fresca,
ele virá e comerá nas fruteiras do quintal.

Poema Emergencial - a título do companheiro Barteco

E essas caras brancas, meu Deus?
Pra onde vão essas pernas perdidas no frio?

E esses olhos de lagoas e enseadas,
o que veem além de outros olhos naufragados?

E essa pele de coisa branca e morta,
pra que servem se não se esquentam?
Calma, minha amada.
Não sou eu tão
rude, amargo, desalmado.

Calma... minha amada.
Não sou eu o culpado
por tanto terror!

É culpa da vida,
essa meretriz,
que nos fez assim
sem nenhum pudor.

Poema da brisa

terça-feira, 12 de janeiro de 2010
As ondas,
essas calmas...
que vem descompassadas
pelo tempo dos mares

São o meu relógio sem ponteiros retos
e assim que beijam a amada, sua praia,
Tiram da areia pouco à pouco,
grãos e grãos

E assim quando subitamente
anoitece,
vem com tamanha sede de saudade de seu amor
que beijam e devoram-na por inteira.

Lutemos contra
Lutemos à favor
Mas é verdade
Que não é possível viver sem as ondas descompassadas pelos tempos do mares.
Não existe nada mais a ser escrito.

As dores foram sentidas.
As brigas, remoídas.
Os amores, relatados.
As ideias, esquecidas.
As boas acões, perdidas.
As pragas, computadas.
Os pobres, abandonados.

E com isso me findo
Porque não há nada mais ridículo
do que ser poeta
sem escritos
 

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