E essas caras brancas, meu Deus?
Pra onde vão essas pernas perdidas no frio?
E esses olhos de lagoas e enseadas,
o que veem além de outros olhos naufragados?
E essa pele de coisa branca e morta,
pra que servem se não se esquentam?
Calma, minha amada.
Não sou eu tão
rude, amargo, desalmado.
Calma... minha amada.
Não sou eu o culpado
por tanto terror!
É culpa da vida,
essa meretriz,
que nos fez assim
sem nenhum pudor.
Não sou eu tão
rude, amargo, desalmado.
Calma... minha amada.
Não sou eu o culpado
por tanto terror!
É culpa da vida,
essa meretriz,
que nos fez assim
sem nenhum pudor.
Poema da brisa
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
As ondas,
essas calmas...
que vem descompassadas
pelo tempo dos mares
São o meu relógio sem ponteiros retos
e assim que beijam a amada, sua praia,
Tiram da areia pouco à pouco,
grãos e grãos
E assim quando subitamente
anoitece,
vem com tamanha sede de saudade de seu amor
que beijam e devoram-na por inteira.
Lutemos contra
Lutemos à favor
Mas é verdade
Que não é possível viver sem as ondas descompassadas pelos tempos do mares.
essas calmas...
que vem descompassadas
pelo tempo dos mares
São o meu relógio sem ponteiros retos
e assim que beijam a amada, sua praia,
Tiram da areia pouco à pouco,
grãos e grãos
E assim quando subitamente
anoitece,
vem com tamanha sede de saudade de seu amor
que beijam e devoram-na por inteira.
Lutemos contra
Lutemos à favor
Mas é verdade
Que não é possível viver sem as ondas descompassadas pelos tempos do mares.
Não existe nada mais a ser escrito.
As dores foram sentidas.
As brigas, remoídas.
Os amores, relatados.
As ideias, esquecidas.
As boas acões, perdidas.
As pragas, computadas.
Os pobres, abandonados.
E com isso me findo
Porque não há nada mais ridículo
do que ser poeta
sem escritos
As dores foram sentidas.
As brigas, remoídas.
Os amores, relatados.
As ideias, esquecidas.
As boas acões, perdidas.
As pragas, computadas.
Os pobres, abandonados.
E com isso me findo
Porque não há nada mais ridículo
do que ser poeta
sem escritos
Avôs não tem pátrias,
ou seguem a lei natural das coisas
e dos homens.
Seus coracões são as mais
vastas e belas terras
que podem ser habitadas.
Suas leis são as emocionais.
Não venham com essa tal de razão
para acabar com a fantasia e alegria
de algo que é simplesmente sentido
Ser Avô é honraria das grande
e, não são todos que podem ter.
Procriar até a sua terceira geracão
não é nada que exiga dificuldade.
Complicado é esconder, pequenas travessuras,
brincar como se a infância não acabasse.
Difícil é ter tanta alegria
quando já se é adulto.
Que quando ficar eu velho,
não tenha posses, não tenha casas grandes.
Ternos caros e gravatas cor de morte.
Mas que tenha ao pé do meu ouvido
uma voz suave e gritante, macia e vívida:
Vô...
ou seguem a lei natural das coisas
e dos homens.
Seus coracões são as mais
vastas e belas terras
que podem ser habitadas.
Suas leis são as emocionais.
Não venham com essa tal de razão
para acabar com a fantasia e alegria
de algo que é simplesmente sentido
Ser Avô é honraria das grande
e, não são todos que podem ter.
Procriar até a sua terceira geracão
não é nada que exiga dificuldade.
Complicado é esconder, pequenas travessuras,
brincar como se a infância não acabasse.
Difícil é ter tanta alegria
quando já se é adulto.
Que quando ficar eu velho,
não tenha posses, não tenha casas grandes.
Ternos caros e gravatas cor de morte.
Mas que tenha ao pé do meu ouvido
uma voz suave e gritante, macia e vívida:
Vô...
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Semprei pensei que escrever
era algo simples: pegar um papel,
caneta preta,
falar de amores,
paisagens,
rimas abertas ou fechadas.
E assim vai seguindo...
Mas estava enganado,
é pura disciplina,
como as piores profissões.
Depois de escolhida não há volta.
Escrever sem ser disciplinado
é como fazer música sendo surdo-
salve Beethoven, ligacão entre
Deus e o homem- é como fazer cinema sendo cego.
É preciso olhar para dois velhos,
e sentir a pureza no toque das suas mãos enrugadas.
É olhar para o beijo- atencao no definitivo-
e ver a beleza dos lábios
que se tocam, e das almas que se amam.
É olhar pra quem passa fome
(não olhar passando pela rua ou pela calcada).
Olhar a tristeza nos seus olhos,
a sujeira nas suas mãos pedintes,
a feiura de seus lábios sedentos,
o ódio de sua alma.- Não me entendam mal-
Que não por ruindade odeia,
mas sim porque o amor nunca lhe foi fiel.
era algo simples: pegar um papel,
caneta preta,
falar de amores,
paisagens,
rimas abertas ou fechadas.
E assim vai seguindo...
Mas estava enganado,
é pura disciplina,
como as piores profissões.
Depois de escolhida não há volta.
Escrever sem ser disciplinado
é como fazer música sendo surdo-
salve Beethoven, ligacão entre
Deus e o homem- é como fazer cinema sendo cego.
É preciso olhar para dois velhos,
e sentir a pureza no toque das suas mãos enrugadas.
É olhar para o beijo- atencao no definitivo-
e ver a beleza dos lábios
que se tocam, e das almas que se amam.
É olhar pra quem passa fome
(não olhar passando pela rua ou pela calcada).
Olhar a tristeza nos seus olhos,
a sujeira nas suas mãos pedintes,
a feiura de seus lábios sedentos,
o ódio de sua alma.- Não me entendam mal-
Que não por ruindade odeia,
mas sim porque o amor nunca lhe foi fiel.
Quero antes de tudo:
Parar de dizer
Quero antes de tudo.
Parar de usar o primeiro pronome do caso reto.
Parar de ser tão egoísta,
e tentar fazer qualquer coisa humanista.
Poder dizer que usei os olhos
para aquilo que
eles foram feitos:
Olhar, analisar. Pensar.
Porém( e há sempre um pórem),
é algo difícil, complicado.
Não é como ir no Padeiro
e pedir pão, é como ir a
guerra e pedir paz.
É como ir a alguem que nunca amou
e pedir que ame.
Tomara que um dia
consiga parar de escrever
de dentro e mostrar
o que ta fora,
na nossa cara, batendo e espancando
e ninguém ver.
E quero antes de tudo...
Parar de dizer
Quero antes de tudo.
Parar de usar o primeiro pronome do caso reto.
Parar de ser tão egoísta,
e tentar fazer qualquer coisa humanista.
Poder dizer que usei os olhos
para aquilo que
eles foram feitos:
Olhar, analisar. Pensar.
Porém( e há sempre um pórem),
é algo difícil, complicado.
Não é como ir no Padeiro
e pedir pão, é como ir a
guerra e pedir paz.
É como ir a alguem que nunca amou
e pedir que ame.
Tomara que um dia
consiga parar de escrever
de dentro e mostrar
o que ta fora,
na nossa cara, batendo e espancando
e ninguém ver.
E quero antes de tudo...
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