Poema Emergencial - a título do companheiro Barteco

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
E essas caras brancas, meu Deus?
Pra onde vão essas pernas perdidas no frio?

E esses olhos de lagoas e enseadas,
o que veem além de outros olhos naufragados?

E essa pele de coisa branca e morta,
pra que servem se não se esquentam?
Calma, minha amada.
Não sou eu tão
rude, amargo, desalmado.

Calma... minha amada.
Não sou eu o culpado
por tanto terror!

É culpa da vida,
essa meretriz,
que nos fez assim
sem nenhum pudor.

Poema da brisa

terça-feira, 12 de janeiro de 2010
As ondas,
essas calmas...
que vem descompassadas
pelo tempo dos mares

São o meu relógio sem ponteiros retos
e assim que beijam a amada, sua praia,
Tiram da areia pouco à pouco,
grãos e grãos

E assim quando subitamente
anoitece,
vem com tamanha sede de saudade de seu amor
que beijam e devoram-na por inteira.

Lutemos contra
Lutemos à favor
Mas é verdade
Que não é possível viver sem as ondas descompassadas pelos tempos do mares.
Não existe nada mais a ser escrito.

As dores foram sentidas.
As brigas, remoídas.
Os amores, relatados.
As ideias, esquecidas.
As boas acões, perdidas.
As pragas, computadas.
Os pobres, abandonados.

E com isso me findo
Porque não há nada mais ridículo
do que ser poeta
sem escritos
Avôs não tem pátrias,
ou seguem a lei natural das coisas
e dos homens.

Seus coracões são as mais
vastas e belas terras
que podem ser habitadas.

Suas leis são as emocionais.
Não venham com essa tal de razão
para acabar com a fantasia e alegria
de algo que é simplesmente sentido

Ser Avô é honraria das grande
e, não são todos que podem ter.

Procriar até a sua terceira geracão
não é nada que exiga dificuldade.

Complicado é esconder, pequenas travessuras,
brincar como se a infância não acabasse.
Difícil é ter tanta alegria
quando já se é adulto.

Que quando ficar eu velho,
não tenha posses, não tenha casas grandes.
Ternos caros e gravatas cor de morte.

Mas que tenha ao pé do meu ouvido
uma voz suave e gritante, macia e vívida:


Vô...
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Semprei pensei que escrever
era algo simples: pegar um papel,
caneta preta,
falar de amores,
paisagens,
rimas abertas ou fechadas.
E assim vai seguindo...

Mas estava enganado,
é pura disciplina,
como as piores profissões.
Depois de escolhida não há volta.

Escrever sem ser disciplinado
é como fazer música sendo surdo-
salve Beethoven, ligacão entre
Deus e o homem- é como fazer cinema sendo cego.

É preciso olhar para dois velhos,
e sentir a pureza no toque das suas mãos enrugadas.

É olhar para o beijo- atencao no definitivo-
e ver a beleza dos lábios
que se tocam, e das almas que se amam.

É olhar pra quem passa fome
(não olhar passando pela rua ou pela calcada).
Olhar a tristeza nos seus olhos,
a sujeira nas suas mãos pedintes,
a feiura de seus lábios sedentos,
o ódio de sua alma.- Não me entendam mal-
Que não por ruindade odeia,
mas sim porque o amor nunca lhe foi fiel.
Quero antes de tudo:
Parar de dizer
Quero antes de tudo.
Parar de usar o primeiro pronome do caso reto.
Parar de ser tão egoísta,
e tentar fazer qualquer coisa humanista.

Poder dizer que usei os olhos
para aquilo que
eles foram feitos:
Olhar, analisar. Pensar.

Porém( e há sempre um pórem),
é algo difícil, complicado.
Não é como ir no Padeiro
e pedir pão, é como ir a
guerra e pedir paz.

É como ir a alguem que nunca amou
e pedir que ame.

Tomara que um dia
consiga parar de escrever
de dentro e mostrar
o que ta fora,
na nossa cara, batendo e espancando
e ninguém ver.

E quero antes de tudo...
 

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